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Os Projetos Comuns, a dinâmica do casal

 

 

 

Os projetos comuns unem os dois parceiros em torno de um objetivo ou de uma atividade partilhada. Não falaremos aqui das decisões do dia a dia ou das tarefas quotidianas, mas sim dos sonhos a que ambos aspiram e que trazem significado à relação.

 

No passado, o casal construía-se em volta da familia: ter filhos, criar um lar. Esta ainda é a vontade de muitos, no entanto pode não se mostrar suficiente a longo prazo. Muitos casais formam-se num momento em que os filhos já não são uma opção ou quando simplesmente não são uma escolha.

 

Será, portanto, essencial ultrapassar esta visão tradicionalista e refletir sobre o que realmente alimenta uma relação nos dias de hoje.

 

Atualmente, os projetos de casal assumem as mais variadas formas: renovar uma casa, criar uma empresa, experimentar novas atividades ou simplesmente planear uma viagem juntos. Em alguns casos, a própria relação torna-se o grande projeto comum, onde se transcende o quotidiano e se criam momentos a dois tão especiais quanto inesquecíveis.

 

Cada casal terá a sua visão, os seus desejos, os seus objetivos. O que realmente importa é que sejam escolhidos por ambos, tornando-se possível investir tempo e esforço na sua realização. Assim, este projeto partilhado contribui, mais do que qualquer outra coisa, para fazer do casal, uma unidade, mesmo constituída de dois elementos.

 

Este caminho não é tão óbvio quanto parece. Quando duas vontades coexistem, debatem e tomam decisões, surgem tensões. Esses ajustamentos, embora inevitáveis, revelam, no entanto, um profundo desejo de construir e avançar lado a lado. Dialogar e planear juntos não só fortalece a cumplicidade, como também ajuda a compreender melhor as expectativas do outro. Contudo não significa abdicar dos seus próprios sonhos, essenciais para o nosso crescimento pessoal. No casal, se cada parceiro se concentrar exclusivamente em si, a paixão e a vontade de estar juntos podem ficar comprometidas.

 

Sem um objetivo comum, mesmo que falemos abertamente dos nossos sonhos individuais, não construímos verdadeiramente algo. O risco é ver se desfazer o vínculo, criando duas vidas herméticas, onde cada um terá dificuldade em encontrar o seu lugar no espaço do outro. Nessas situações, não é raro os parceiros tornarem-se apenas amigos ou, pior, simples colegas de casa.

 

Um projeto comum fortalece o casal ao abrir espaço para o diálogo e ao incentivar a partilha. Promove também a autonomia, ao equilibrar os esforços, já que o projeto só é realmente comum se ambos contribuírem. Deve haver um pouco de cada um no resultado.

 

À medida que o projeto se concretiza, o vínculo fortalece-se e a relação ganha raízes.

 

Às vezes, nem é necessário ultrapassar a etapa do «E se…»:
«E se comprássemos uma autocaravana?»; «E se nos mudássemos para Nova Iorque?»; «E por que não uma quinta com vacas e ovelhas?»

 

Estas conversas, mesmo utópicas, alimentam a relação. Desde que ambos estejam conscientes desta dimensão, se a partilha for verdadeira, a conexão é verdadeira. Nesses castelos nas nuvens, construímos concretamente algo precioso: a relação. Contudo, é essencial garantir que, por trás dessas ideias fabulosas, nenhum dos dois sofra em silêncio. Isso acontece quando um parceiro sente que os seus sonhos são desvalorizados ou mesmo gozados.

 

Existem também projetos comuns que, vistos de fora, parecem pertencer apenas a um dos parceiros. Apoiar a ambição do outro pode tornar-se uma escolha de vida: acompanhar um cônjuge artista, desportista ou político, por exemplo. O equilíbrio não significa necessariamente que ambos ocupem o mesmo lugar, mas que cada um assume o papel que mais lhe convém. No entanto, seguir ambições que não são as nossas não está isento de riscos. Podemos perder de vista os nossos próprios desejos e até esquecer quem somos.

 

O ideal é reavaliar regularmente as decisões tomadas e falar sobre elas. As nossas necessidades evoluem, e não temos de permanecer presos a situações que já não são adequadas, apenas porque foram aceites no passado.

 

Por fim, um projeto de casal nunca deve ser imposto. E isto não será tão simples quanto parece. Afinal, como saber se um desporto não é para nós, sem o experimentarmos? Como ter a certeza de que não seríamos felizes a viver no estrangeiro ou num passeio de moto? É claro que ouvir a nossa intuição ajuda-nos a perceber o que é melhor para nós. E se aceitar novas aventuras nos pode abrir perspetivas maravilhosas, tal deve acontecer sem pressões. Caso contrário, corremos o risco de nos sentirmos frustrados e de nos fecharmos pouco a pouco.

 

Certas conexões perdem-se desta forma, mesmo quando aparentam estáveis, porque um dos parceiros impõe os seus desejos, esquecendo que, para que o casal funcione, certas decisões devem ser partilhadas.

 

Lily Blue

 

 

Para ir mais longe:

 

  • Reservem um momento para listar, cada um por si, os projetos que considerem importantes para o casal.

  • Partilhem as vossas ideias e discutam juntos da sua concretização.

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