
Muitos de nós sonham em encontrar o amor ou em reacender a chama com o parceiro.
Apesar do carinho que recebemos no dia a dia dos nossos familiares e amigos, ainda sentimos necessidade em ter ao nosso lado alguém que nos ame “de verdade”. O mito desse ser perfeito, dessa alma gémea que nos espera em algum lugar, persiste, mas, afinal, que vazio esperámos que preencha?
E esse vazio… não será o que nos impede, por vezes, de dar aos outros o amor que desejamos para nós?
No que toca às relações amorosas, alguns parecem presos a um ciclo que se repete vezes sem conta. A cada fracasso, culpam o parceiro do momento ou as circunstâncias. Focam-se na crença de que “da próxima será diferente”.
Nesta nossa sociedade de hiperconsumo, aprendemos a desistir quando algo não nos satisfaz de imediato. Se é certo que ninguém deve permanecer num relacionamento que não lhe corresponde — esse é o princípio da liberdade individual — é bom lembrar que uma relação de casal requer tempo e esforço. Questionar sistematicamente o modelo herdado dos nossos pais e avós levou-nos, de certa forma, a perder os nossos pontos de referência.
Uma boa parte das informações ao nosso alcance, seja através de livros, blogs ou vídeos e filmes, incentivam-nos a “amar-nos mais” e a “respeitar-nos”. Mas será que se fala o suficiente do equilíbrio entre dar e receber? Não teremos passado de um extremo — sacrificar tudo por amor, entregarmo-nos a 200% — ao outro — exigir tudo para nos sentir amados? Estar demasiado focados em nós talvez nos faça esquecer as necessidades do outro.
O que define a relação de casal atualmente? E, acima de tudo, como fazê-la resistir à prova do tempo?
Afinal, nos dias de hoje, o que é o amor?
Amar o outro não significa necessariamente ser amado de volta, nem que esse sentimento tem o poder, de por si só, curar-nos. E se, para amar melhor, começássemos por nos amar mais? Não aceitaríamos certos comportamentos, incompreensões ou desequilíbrios, e talvez fosse o início de uma mudança coletiva.
Para alcançar esse objetivo, as nossas relações, mesmo imperfeitas, são indispensáveis. A introspeção confronta-nos com as nossas carências, as nossas falhas, mas também com esse frágil afeto que por vezes dirigimos ao outro. Porém, podemos aproveitar essas tomadas de consciência para transformar os nossos relacionamentos em algo mais estável e saudável. Isso implica aceitar os conflitos e as divergências de opinião. É através do diálogo, dos debates sinceros, mas também da abertura — da mente e do coração — que o casal se constrói.
Hoje, todos nós sabemos o quanto é importante ouvir-nos, respeitar-nos e sermos assim capazes de escolher em consciência. Mas o casal não prejudica o trabalho sobre si; muito pelo contrário, é um espaço que obriga ao questionamento, desencadeando uma evolução em espelho. Ao olharmos para dentro, convidamos o outro a fazer o mesmo. No entanto, a mudança não deve ser imposta; pois é sempre um esforço consciente e individual.
Amar em consciência é um caminho longo e desconfortável, mas abre a porta à felicidade — não necessariamente à “happy end” dos contos de fada, mas às alegrias simples do quotidiano que se disfrutam a sós ou a dois.
A felicidade absoluta é uma ilusão da mente, um sonho que nos prende às nossas exigências e fracassos, e que nos impede de desfrutar plenamente das nossas vitórias.
Uma vida demasiada calma não teria lá muito sabor. Que valor daríamos ao dia, à luz, se a sombra e a noite não existissem?
Este blog foca-se na evolução pessoal dentro da relação de casal. As opiniões que partilho são fruto da minha experiência e introspeção. Não encontrarás aqui soluções prontas nem culpados apontados. As relações exigem sempre esforço de ambos. Se acreditamos que merecemos melhor, devemos agir em conformidade, lembrando, no entanto, que nada na vida é apenas preto ou branco.
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Nota
Cada um segue o caminho de vida que lhe é destinado. Este blog não promove o casal como via única para a transformação, mas foca-se nesta temática.
Quero também salientar que qualquer situação que comprometa a integridade física ou moral é inaceitável e que ninguém é obrigado a sujeitar-se a uma relação insatisfatória.

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