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Equilíbrio

 

Estar num relacionamento é como caminhar, em duo, num fio de equilibrista. Cada um na sua ponta, avançamos em direção ao outro, com a intenção de nos encontrarmos a meio. Cada passo, cada movimento, cada estado de espírito faz oscilar a corda, já abalada por turbulências externas.

 

Manter uma relação equilibrada exige determinação e saber exatamente para onde caminhamos. É o que nos dá força para continuar. Mas, primeiro, temos de olhar para dentro e explorar as nossas limitações, necessidades e fragilidades, pois são elas que nos ajudam a compreender como reagimos e porquê. Os nossos sentimentos e a nossa intuição são aliados preciosos para mantermos o nosso alinhamento interior.

 

Cada passo em falso pode levar à queda, pelo que é um caminho repleto de dúvidas e medos. A introspeção impede que assumam o controlo. Convém lembrar que as nossas sombras são a nossa responsabilidade, pois o nosso parceiro, do seu lado, enfrenta as suas.

Quando nos conhecemos melhor a nós próprios, torna-se mais fácil manter a calma. Somos então capazes de olhar para o outro de forma serena e de antecipar os seus movimentos, demonstrando paciência e empatia.

 

Um relacionamento a longo prazo resulta de uma subtil aliança entre justiça e flexibilidade. Criar um espaço sólido e seguro é, por isso, essencial. Esse fio esticado sobre o vazio constrói-se com esforço mútuo, compromissos, confiança e estabilidade, ainda que esta última seja sempre relativa. Saber ajustar as nossas respostas, reagir com a leveza, adaptar-nos, sem nos focarmos demasiado nas turbulências, ajuda-nos a não perder de vista o objetivo principal: avançar juntos, mesmo que a corda oscile ao ponto de nos desorientar.

 

Esforçar-se significa partilhar, equilibrar o dar e o receber, o compreender e o ser compreendido. Significa também cultivar uma comunicação fluida e uma escuta atenta. Cada passo aproxima-nos, mas são a confiança e o respeito que nos mantêm estáveis.

 

Não nos iludamos: os erros são inevitáveis, sobretudo quando duas individualidades se confrontam. Somos humanos, logo falíveis. Se cairmos — e devemos aceitar que isso acontece por vezes — teremos de recomeçar do zero, rever as bases. Para isso, é necessário termos capacidade de nos questionarmos para evoluir.

 

Gostaria de vos dizer que, com o tempo, tudo fica mais fácil. Mas nem sempre é verdade, sobretudo a meio caminho. Quanto melhor nos conhecemos, menos toleramos as manias do outro ou até os defeitos que antes passavam despercebidos. Cada palavra, cada gesto pode ser uma faísca capaz de incendiar tudo ou, pelo menos, fazer-nos vacilar.

 

Este bailado aéreo nem sempre é gracioso. No entanto, quanto mais avançamos, se soubermos permanecer calmos, apaixonados e rir do que podemos sem ferir, anteciparemos os nossos movimentos, assim como os do nosso parceiro. E é o que nos permite resistir às tempestades da vida.

 

As pausas para recuperar o fôlego são a oportunidade de apreciar o caminho percorrido e ver que o outro, também ele, dá o seu melhor.

 

Sem uma fé inabalável e uma coragem alimentada por um amor profundo, ninguém ousaria pisar esse fio.

 

A chave para o equilíbrio num relacionamento reside, portanto, na aceitação — de si próprio e do outro. Encontrar o nosso alinhamento interior evita o pânico à menor oscilação. Tornamo-nos então um farol para o outro. A única forma de não cairmos é não nos perdermos de vista e mantermos a certeza de que, no fim, chegaremos juntos ao nosso destino… E, o melhor de tudo, é que a última parte será percorrida de mãos dadas.

 

Lily Blue

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