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Nós dois: o espaço sagrado do casal

 

 

Primeiro, há o tu e o eu.


E depois, entre nós, esse espaço invisível que às vezes esquecemos de proteger — e de ver. Não nos pertence individualmente — nem a mim, nem a ti. Criamo-lo juntos. Esse lugar íntimo, mutável e subtil é o espaço sagrado do casal.

 

É com as nossas palavras, o nosso carinho, as nossas gargalhadas que o construímos. Os nossos hábitos cimentam-no, alimentam a nossa cumplicidade. Ninguém me conhece tão bem quanto tu. As minhas esquisitices, os meus medos, as minhas manias. São o que tenho de mais íntimo. Partilhá-los contigo faz de ti uma extensão de mim. Um pouco. Mas não totalmente. Ponho isso tudo nesse intervalo entre o eu e o tu, na esperança de ser compreendido(a) e aceite(a). O que mais desejo é ser amado(a) por quem sou.

 

Às vezes pensamos que amar é suficiente. Que o amor sempre se desenrasca, entre dois encontros, uns carinhos e alguma ternura. Mas, na verdade, precisa de um lugar onde possa criar raízes — caso contrário, esgota-se. Devemos-lhe um santuário: um espaço próprio, construído com consciência e cuidado. Esse espaço é o nós.

 

Uma relação é uma matemática delicada, nem sempre lógica. Um mais um dá três. Três intimidades que precisam de ser cuidadas e alimentadas: o eu, o tu e o nós. Um mais um também dá onze: dois pilares que sustentam a vida em comum e o lar. O onze é um número mestre que representa a dualidade, a espiritualidade — o casal por excelência.

 

O nós é uma entidade à parte. Uma matéria viva, que respira, se alimenta… e que, por vezes, se torna pesada. Como qualquer ser vivo, precisa de cuidados. A água é a atenção que lhe damos. O sol, o amor que trocamos. E o solo fértil, aquilo que partilhamos de forma equilibrada. Se dou e recebo de boa vontade, sem máscaras, transforma-se, pouco a pouco, num ninho, num casulo. Se despejo ali a minha raiva, as minhas feridas abertas ou os silêncios que me pesam, torna-se um campo de batalha.

 

Está na hora de olhar para aquilo que trazemos para o nosso espaço comum. O que carrego comigo nessas horas? Os meus traumas ou a minha empatia? No primeiro caso, o ego procura reparação e joga à defesa. No segundo, o coração procura a união.

 

O espaço do casal não se partilha. É só nosso. Nem filhos, nem amigos, nem preocupações do dia-a-dia têm lá lugar. É um jardim secreto que deve ser cuidado. Uma fogueira para manter acesa a todo o custo. Um lugar para a ternura, o riso e a sensualidade. Ali, não se pagam contas ou se gere o quotidiano. Vamos lá para nos reencontrar. Para nos amar.

 

Uma casa precisa de alicerces. De uma base firme. Essa base é o nós. Uma criança quer pais felizes para crescer em segurança. Por isso o casal deve ser, antes de tudo, a prioridade.

 

É uma arte. E toda a arte começa por tomar consciência daquilo que construímos juntos.

 

Para ir mais longe:

 

Sinto-me bem no nosso espaço comum? Será que te sentes lá acolhido, respeitado, desejado? Temos vontade, tu e eu, de voltar a esse lugar, vezes sem conta? E, se não for o caso, o que é que anda por ali… e que ainda não tive coragem de ver?

 

Lily Blue

 

 

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